Sábado, 20 de Julho de 2024
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Opinião

Jorge Meneses

Jorge Meneses

Perspetivas de uma Visão Estratégica

 

Feito o convite para participar no debate sobre o documento do Professor António Costa e Silva, intitulado “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-30”, deixo aqui algumas das minhas perspetivas, que após ler o documento e ouvir os primeiros comentários públicos, me ressaltou.

Quanto a mim, a troca de ideias deve ser a intersetar pontos comuns. E desenvolver, em conjunto, a partir daí. Assim, constrói-se.

Analisando o documento, está como um mapa de ideias. O conceito aplicado é abrir caminhos, que coloquem as pessoas a refletir sobre os passos a dar. Quanto às ideias expostas, traça vários vetores, naturalmente.

Aponta fortemente para o investimento em infraestruturas públicas, onde se destaca a ferrovia em todo o País. Algo que me parece útil, pois há um objetivo ecológico de Portugal, de redução de CO2. Reduzir as muitas deslocações de viaturas na estrada é a base para a atingir, algo que é fundamental face às alterações climáticas – no meu entendimento, é o maior desafio que vamos ter -.

Também aponta para o TGV Porto-Lisboa; como o autor também disse, a União Europeia quer proibir as viagens de avião até 600 kms, e dentro da mesma, já há quem peça para proibir-se até 1.000 kms. Também por razões ecológicas e bem. Assim, daqui a uns anos, as viagens de avião Porto-Lisboa irão terminar, e deverão ser substituídas por um meio rápido e ecológico como o TGV. Supondo que se tornará público o estudo custo-benefício deste TGV e que demonstrará viabilidade, é uma importante decisão a tomar.

Fala também no novo aeroporto de Lisboa. Um investimento desta magnitude, tem de ser projetado em todas as suas componentes a várias décadas, com todos os seus riscos. Aqui, na minha humilde opinião, e depois de muito ler sobre o assunto, e como há alguns custos que serão do Estado e da população, tem de se fazer muito bem toda a equação. O que digo é: devem ser tornados públicos os estudos de custos-benefícios de todos os cenários. E fazer isto considerando as várias novas realidades da aviação mundial, que podem ser temporárias ou ter parte dos efeitos a tornarem-se permanentes, até por outras novas circunstâncias que já se perspetivam.

Outro vetor são as qualificações dos Recursos Humanos, onde aponta para o reforço da formação, aumentando o conceito de aprendizagem ao longo da vida, e naturalmente pela reconversão de competências. Parece-me importante, pois se as atividades empresariais mudam, também as competências das pessoas têm de mudar.

Outro fator, será o aumento da digitalização, também nos processos da função pública, para melhorar a eficiência e eficácia dos mesmos, criando benefícios claros para a população que interage com eles. Vão ser precisos ainda mais programadores informáticos, algo que é fundamental formar mais, podendo até reforçar a capacidade de exportação de serviços de programação.

O documento também aponta para as empresas serem o espaço principal de desenvolvimento da economia. E que é preciso continuar a melhorar as condições para estas poderem-se fixar no interior. Desta forma, a população ficará mais distribuída, contribuindo para um maior equilíbrio a todos os níveis, o que parece-me importante. Aponta também para levar a fibra ótica a todos os pontos relevantes do interior; se for viável economicamente, parece-me útil para diminuir assimetrias.

Aponta também na dinâmica de criação de condições de fabricação de produtos, mas de uma forma moderna e evoluída. Parece-me correto. Parece-me até fundamental para equipamentos essenciais, como para a saúde. Para tudo o resto, também é relevante, mas tem de identificar-se soluções para lidar com o baixo custo de produtos vindos da Ásia. Para qualquer entidade, o custo da compra é fundamental. A União Europeia tem de encontrar forma de tornar-se competitiva no custo dos produtos fabricados cá, comparados com a Ásia. Creio que a Inovação será fundamental, com especial enfoque na robótica industrial. Para isso, tem de haver reforço a todos os níveis de Investigação & Desenvolvimento.

Todas estas ideias do autor têm resultados só a longo prazo. Parece-me que o documento também podia ter algumas ideias para resultados a curto prazo, derivado dos efeitos económicos da pandemia. É fundamental minimizar a tendência de muitas empresas encerrarem e muitos postos de trabalho perderem-se. Mas, como diz o Jornal Expresso, “Nova década, novo desafio!”

Para terminar, entendo que fazer documentos deste tipo, parece-me muito importante para Portugal, pois é assim que se pode expor de forma estruturada as ideias. Seria bom que o Governo pedisse mais documentos destes, a pessoas de outros quadrantes, para poder cruzar ideias, algo que só enriquece o debate construtivo de um Plano para Portugal.